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mar 12

A saudade não dói mais igual

Me lembro lá longe na memória da primeira vez que alguém próximo a mim,foi estudar na Europa,anos 1960,e deixou sua esposa,logo após o casamento,esperando por um ano e meio,pelo fim do curso de pós-graduação.A pergunta principal era:será que ele vai se manter fiel?

As passagens aéreas eram caras,quase exclusivas.Não havia a possibilidade de uma lua de mel pela Europa no fim do período.Telefones,nem pensar.Era ainda a fase do mail do correio,mesmo.Da missiva,da carta muitas vezes longa,cheia de parágrafos e borrões de lágrimas.A caneta esferográfica,leia-se BIC,era uma inovação em período de afirmação.A dor da saudade era terrível,quase insuportável.O início de uma vida em comum era adiado,em função de um supostamente bem maior,a realização profissional,a capacitação para enfrentar um mercado que já naquela época se mostrava pré-competitivo.

Uma especialização na Europa era um luxo de que poucos dispunham quase sempre em função de seu alto desempenho no ensino superior.Era uma saudade avassaladora.Um exercício de sofrência para uma eventual perda definitiva.Era preciso mandar fotos de um novo penteado,uma nova maquiagem,uma barba que a saudade justificaria ou um bigode que meses de estudo e dedicação no exterior exigiam para mostrar a seriedade da façanha.

Hoje a saudade foi digitalizada.São vários os meios de alcance da pessoa amada via internet.Canal de voz é coisa de um passado longínquo.Tanto é assim que algumas operadoras de telecomunicação esnobam,colocando call services de voz com qualidade pra lá de duvidosa,onde ninguém entende ninguém.

Há 50 anos os recursos de que dispomos hoje, só podiam ser imaginados em filmes de ficção.O que nos espera no futuro?Convido os leitores para esta reflexão,baseado na seguinte provocação:teletransporte é algo visionário,ilusório ou pode mesmo acontecer?Quem duvidar pode ser taxado de louco tanto quanto aqueles que nos viam escrevendo longas cartas e postando no correio ao invés de nas redes sociais.

As possibilidades existem,ora.Quem duvida?Imagine-se indo até uma estação que se chamará teleporto,colocando um cartão numa máquina,digitando a cidade-alvo, enquanto você se posiciona dentro de uma cápsula com a devida correspondência numa outra cápsula no local de destino.No início seria algo de certo risco.Você temeria chegar ao destino aos pedaços,ou pelo menos faltando alguma parte essencial.Mas vamos lá.A corrida espacial também começou assim.Santos Dumont também arriscou o pelo ao dar aqueles voos de galinha no 14 BIS.

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